
A Associação Portuguesa de Canonistas promoveu, entre 6 e 9 de Setembro de 2017, o XI Encontro sobre causas matrimoniais, que teve lugar na Casa de Nossa Senhora do Carmo, no Santuário de Fátima. No Encontro participaram cerca de 60 pessoas, entre juristas civis e canónicos, e tinha, como principal objectivo, aprofundar vários temas de Direito canónico, quer numa perspectiva teórica, quer numa vertente mais prática.
No dia 7 de Setembro, após as palavras de abertura do Presidente da Associação, Rev. Pe. Dr. Manuel Joaquim Estêvão Rocha, Vigário Geral e Judicial de Aveiro, coube a S. Ex.cia o Sr. D. Manuel da Silva Rodrigues Linda, Bispo das Forças Armadas e de Segurança, proferir a primeira das conferências, subordinada ao tema: “Fundamentos Bíblico-teológicos da justiça”. Citando vários autores e muitas passagens bíblicas, quer do Antigo, como do Novo Testamento, o Sr. D. Manuel Linda foi delineando várias perspectivas da virtude da justiça, afirmando, entre outras coisas, que “os cristãos edificam a justiça na medida em que se comprometem com a verdade libertadora da fé transmitida e vivida na Igreja.”











Foi ao senhor Bispo da diocese das Forças Armadas e Segurança que coube a tarefa de abrir o XI Encontro de Causas Matrimoniais promovido pela Associação Portuguesa de Canonistas e que decorreu em Fátima entre os dias 6-9 de Setembro com o tema: “Fundamentos Biblico-teológicos da Justiça”.“O princípio e origem da justiça vem da equidade, começou or afirmar o bispo das Forças Armadas, citando um autor da Antiguidade, Lactâncio, cujo pensamento foi depois desenvolvido por Ulpiano que já define a justiça como “aquilo que é devido a cada um”.Depois de percorrer alguns autores cristãos como S. Agostinho e S. Tomás de Aquino, D. Manuel Linda centrou-se na Bíblia passando pelo AT onde a justiça é formulada como uma relação do homem com Deus e dos homens entre si. Mas, acentuou o prelado: “a iniciativa é sempre de Deus, é Ele que nos faz justos, isto é unidos a Cristo, fonte de toda a justificação (S. Paulo). Por isso, continuou o Sr. Bispo: “A justiça no mundo só pode ser milagre da graça libertadora de Deus”.Para responder a esta justiça de Deus, os cristãos edificam a justiça na medida em que se comprometem com a verdade libertadora da fé transmitida e vivida na Igreja.E continuou o Bispo: “É a fé em Cristo – actuação da justiça de Deus – que aproxima os cristãos dos oprimidos e das vítimas de todas as injustiças…. Porque os nossos direitos não nascem das nossas capacidades mas das nossas necessidades (Sir 34, 18-22).E concluiu: “Esse é o desígnio de Deus sobre o mundo…. E esse desígnio chama-se justiça!”